
Todo santo dia de manhã eu peço:
Me concedas coragem para encarar todos os desafios deste dia
Me concedas paciência para aceitar todas as derrotas que possam vir
Me concedas força para suportar todo o trabalho desta jornada
Me concedas sabedoria para ser grata às causas e condições deste dia.
Porém hoje eu teria que ter pedido uma dose extra e bem grande de coragem, paciência, força e sabedoria...
Como não recebi essa benção divina, o jeito foi descontar com palavrões, muitos palavrões!
Uma pesquisa confirmou que falar palavrão é libertador: "o xingamento traz a sensação de alívio."
Um estudo realizado pela Universidade de Keele, na Inglaterra, confirmou que, de fato, proferir palavrões pode reduzir a intensidade das dores físicas. "O palavrão ajuda a aliviar a dor porque, ao fazê-lo, você verbaliza uma emoção", explica Ricardo Monezi, pesquisador da Unifesp. "Enquanto você não 'joga fora' esse sentimento, a emoção enclausurada gera respostas hormonais que fazem com que você se sinta mal, pois o estímulo está batendo no cérebro e vai aumentando sua raiva. O grito coloca isso para fora", complementa.
Pois é, guardar e remoer emoções ruins é prejudicial! O melhor é botar pra fora com um belo palavrão. Mas tem situações em que não tem como soltar um em alto e bom som, é aí então que ele fica só no pensamento mesmo, como no meu caso:
Chego no ponto de manhã e nada do ônibus passar. Depois de 10 minutos esperando vem o primeiro pensamento feio: "bom, agora f**eu, vou chegar atrasada!" A senhorinha super simpática do meu lado diz que já está esperando há 40 minutos. "Agora f**eu de vez...além de atrasado o ônibus vai vir lotado".
Depois de 30 minutos o ônibus chega exatamente como eu imaginei: abarrotado: "p**a que pariu, que merda". Minha vontade é de perguntar para o motorista: "mas que p**ra de atraso é esse"? Mas a moça na minha frente questiona primeiro e mais educadamente: "o problema é no terminal Santana, tá uma bagunça lá e blá blá blá." "Sei, problema em Santana o ca**lho!"
O ônibus está tão lotado que mau tenho espaço para deixar um pé do lado do outro e minha bolsa parece 10 kilos mais pesada que o normal. O senhorzinho do meu lado me olha de cara feia porque minha bolsa está empurrando ele. "P**a que pariu, quer que eu a carregue em cima da minha cabeça por acaso?"
E o cara sentado na minha frente, vendo toda minha dificuldade, nem se oferece para segurar a bolsa: "Esse c**ão além de estar sentado no lugar dos idosos não tá nem aí pra ninguém...".
De repente levo uma cotovelada na cara: "Ooooh ca**te"! A agressora sorri pra mim e pede desculpa sem jeito. Retribuo com um sorriso simpático e compassivo que transmite: "tudo bem, você está na mesma b**ta de situação que eu."
Em cada ponto que o ônibus para tem um mala pra falar: "ô pessoal, um passinho pra trás por favor." "Passinho o ca**lho, mau tenho espaço para meu dois pés! Esse p***a desse motorista não tem que parar em nenhum ponto, não cabe mais ninguém aqui!"
Acho que o motorista recebe minhas más vibrações e resolve seguir viagem sem parar nos pontos.
O cara nada cavalheiro que estava sentado no lugar dos idosos se levanta para descer e todo caridoso abraça um senhor que estava quase morrendo sufocado e o guia até assento vago. "Cara de pau de m**da, agora que vai descer é fácil dar uma de bom moço".
O velhinho senta, me abre um sorrisão e se oferece para segurar minha bolsa. "Não obrigada, eu já vou descer", respondo com a gentileza de uma menina que ninguém nunca imaginaria ter tantos palavrões em mente.
Bom, moral da história é que meus palavrões mentais aliviaram a minha nada fácil situação e o melhor de tudo: ninguém ouviu nada!

Linux...minha cara, isso me faz lembrar de um vídeo que cairia super bem ao seu post, nada mais gostoso tbm quando vc bate sem querer em algum lugar e dói...vc emana um belíssimo: P. que P.riu!!! Parece que a dor passa - quase um rémedio a ser prescrito :)
ResponderExcluirSegue o link: http://www.youtube.com/watch?v=VPSX5tgwyNA
Beijoss!